MARCADOR DETECTA CÂNCER

Proteína pode identificar câncer de bexiga com precisão em exame de urina.

Marco Lipay Urologia - São Paulo, SP

Proteína pode identificar câncer de bexiga com precisão em exame de urina.

Com o objetivo de saber, já no momento do diagnóstico, qual será a evolução da doença em cada paciente – o que simplifica a escolha do tratamento -, o urologista Marco Aurélio Silva Lipay, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estudou a glicoproteína CD44 como marcador molecular para câncer de bexiga. Substância que participa da arquitetura dos tecidos e une as membranas das células – como o cimento numa parede -, ela já é usada em diagnósticos de câncer de rim e mama.

 

Segundo Lipay, cujo estudo foi financiado pela FAPESP, o câncer de bexiga é o quarto de maior incidência nos Estados Unidos, onde se diagnosticam cerca de 50 mil novos casos por ano. No Brasil, a estimativa oficial foi de 7.550 novos casos em 1999, “mas ela pode estar subestimada”. Quando a glicoproteína CD44 não está expressa num tecido, é sinal de que há uma desorganização na estrutura dele, que as células começam a desprender-se desordenadamente. Como o câncer é uma doença de multiplicação desordenada de células, supõe-se que a falta de um elemento integrador, como a CD44, aponte para um prognóstico ruim, pois o grau de agressividade do câncer está diretamente relacionado à produção de células metastáticas, que se desgarram do tumor original.

 

Ainda em fase experimental, o método da CD44 depende de biópsia – retirada de uma amostra da região afetada para análise. Lipay pretende aumentar a sensibilidade do teste e torná-lo não invasivo, detectando a expressão ou ausência da CD44 na urina. Coletada a urina, é feita uma centrifugação, para obter as células que descamaram da mucosa interna da bexiga. O RNA (ácido ribonucleico) dessas células é extraído e amplificado por reação em cadeia de polimerase. Se a CD44 estiver expressa, o RNA que promove sua produção também será amplificado pela reação.

 

Alterações genéticas

Lipay diz que o gene que codifica a glicoproteína CD44 está mapeado no braço curto do cromossomo 11. “Existem outros marcadores de tumor de bexiga em estudo. O ideal seria termos um único marcador.” O câncer de bexiga começa geralmente na mucosa e, no momento do diagnóstico, é impossível saber se o paciente vai ficar curado ou não. “O câncer é uma doença genética no nível somático: ou seja, antes que a doença se manifeste, a célula passa por diversos passos de alterações moleculares”, explica.

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Dr Marco Lipay
Dr Marco Lipay

Titular em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia

Titular em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia

Doutor em Cirurgia - Urologia - pela Universidade Federal de São Paulo

Residência em Urol. pelo Instituto de Urol. e Nefrologia de SJRPA

Doutor em Cirurgia - Urologia - pela Universidade Federal de São Paulo

Residência em Urol. pelo Instituto de Urol. e Nefrologia de SJRPA

Autor do Livro Genética Oncológica Aplicada a Urologia

Autor do Livro Genética Oncológica Aplicada a Urologia

Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Catanduva

Membro Correspondente da Associação Americana de Urologia

Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Catanduva

Membro Correspondente da Associação Americana de Urologia

Proteína pode identificar câncer de bexiga com precisão em exame de urina.